terça-feira, 17 de agosto de 2010

Golfo do México: saiba mais sobre o vazamento de óleo que ameaça o meio ambiente

02/06/10

O vazamento de óleo no Golfo do México pode causar uma catástrofe ambiental sem precedentes. Cientistas afirmaram, nesta segunda-feira, 31 de maio, que um grupo enorme de baleias e plânctons invisíveis corre risco de morte. O alerta aconteceu depois das inúmeras tentativas fracassadas de contornar o problema.

O poço de Macondo está vazando desde 20 de abril, quando a plataforma Deepwater Horizon, de propriedade da empresa suíça Transocean e que operava para a multinacional British Petroleum (BP), explodiu e afundou no Golfo do México, matando 11 trabalhadores. O vazamento está ocorrendo a 1.524 metros de profundidade e vem liberando, segundo estimativas, de 80 a 160 milhões de litros de petróleo diariamente.

O acidente aconteceu a 64 quilômetros da desembocadura do Rio Mississippi, nos Estados Unidos, e o petróleo já se espalhou por mais de 100 quilômetros da costa do estado americano da Louisiana, ameaçando áreas de proteção ambiental de várzea e colocando em risco a importante indústria pesqueira da região.

“Cada peixe ou outra forma de vida invertebrada que tenha contato com o óleo provavelmente vai morrer”, alertou a biologista da Universidade Estadual de Louisiana Prosanta Chakrabarty.

Tentativas em vão

Para piorar, o vazamento pode continuar até agosto, já que a solução mais radical para contê-lo não funcionou. Segundo o Wall Street Journal, a terceira e nova tentativa da BP para conter o fluxo de óleo é arriscada e pode tornar o vazamento pior no curto prazo.

Os esforços agora se concentram na remoção dos dutos danificados que estão localizados no fundo do mar, para, em seguida, ser feita a instalação de um dispositivo de contenção que possa deter o petróleo e, finalmente, bombeá-lo para a superfície. A operação é realizada por robôs operados por controle remoto. A BP e a Guarda Costeira estimam que sejam necessários entre quatro e sete dias para que o artefato possa ser instalado.

Então porque isso não foi feito antes? A BP temia que as torções no tubo, ainda ligado à válvula, estivessem agindo como um bloqueador para o vazamento. O receio é que a retirada do tubo provoque um fluxo mais violento de petróleo até que a nova tampa seja colocada sobre o poço.

A última tentativa de vedar o vazamento foi o bombeamento de 30 mil barris de fluidos pesados pelo oleoduto danificado no fundo do mar. A Operação Top Kill, no entanto, foi considerada incapaz de resolver o problema no último sábado, 29 de maio. Ao ser questionado sobre o que havia impedido o sucesso da Top Kill, o chefe de operações da BP, Doug Suttles, disse não saber explicar. “Não temos certeza. Não fomos capazes de conter permanentemente o fluxo”, resumiu.

Nesta mesma tentativa, que durou três dias, a BP lançou no local do vazamento uma grande quantidade de um fluido de alta densidade, semelhante a lama, além de uma mistura de bolas de golfe velhas, pedaços de pneus e cordas para tentar resolver o problema, mas nada disso funcionou.

A BP afirma já ter gasto mais de US$ 940 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão) com suas tentativas. O plano inicial de instalar uma cúpula de 125 toneladas sobre o vazamento também falhou depois que cristais de gelo impediram sua colocação. A instalação de um tubo com 1.600 metros de comprimento, com o objetivo de capturar o petróleo que vaza do poço, também não teve o resultado esperado.

A companhia diz que não pode garantir que o novo método, que nunca foi utilizado em profundidades tão grandes, tenha sucesso. A notícia aumentou a frustração da população da Louisianna, um dos estados norte americanos afetados, que está cada vez mais impaciente. Alguns pescadores pregaram cartazes de protesto, com os seguintes dizeres: "BP, vocês arruinaram nosso futuro e nosso patrimônio".

Desastre ambiental

Uma semana depois do acidente, a mancha de petróleo já alcançava uma área maior do que a Jamaica. A entrada da maré negra na "loop current" (corrente fechada), que forma uma curva no Golfo do México e depois passa pelo estreito da Flórida em direção ao Atlântico, pode resultar em muitos danos para amplos setores da flora e fauna marinhas. O petróleo já chegou aos frágeis pântanos do Golfo do México e um cenário de pesadelo já pode ser observado nos pântanos da Louisiana. Para piorar, o petróleo está próximo da terceira maior barreira de corais do mundo.

Em Londres, militantes da organização ecológica Greenpeace escalaram a sede da BP para protestar contra a tragédia no Golfo do México. Oito ativistas exibiram uma bandeira com a logo verde, amarelo e branco da companhia manchada de negro, simbolizando o vazamento.

O governador da Louisiana, Bobby Jindal, decretou estado de emergência devido à ameaça ao ecossistema da costa: o óleo está a apenas cinco quilômetros do delta do Rio Mississippi, o maior dos Estados Unidos, que abriga várias espécies. Pelo menos dez áreas de proteção ambiental estão no caminho do óleo. A Louisiana abriga cerca de 40% dos pântanos e mangues americanos e é o habitat de inúmeras espécies de peixes e aves.

Já o governador da Flórida, Charlie Crist, decretou situação de emergência nas regiões costeiras do estado atingidas pelo vazamento. Estão em alerta os condados de Escambia, Santa Rosa, Okaloosa, Walton, Bay e Gulf.

Os danos ao meio ambiente são enormes, e os principais impactos são para a vida marinha e o mercado pesqueiro, já que a temporada de pesca dos estados do Texas, Louisiana e Mississipi reabriu no último dia 19 de abril. Nesta época do ano, o norte do Golfo de México é uma área de desova do atum azul, já em perigo de extinção.

Estão também ameaçadas algumas espécies de camarão e ostras da Louisiana. As ostras se alimentam de filtros e não podem nadar para fugir da mancha. Várias espécies de aves também estão em perigo, como o pelicano marrom, retirado no ano passado da lista de animais em risco de extinção.

Na última sexta-feira, 28 de maio, o presidente norte-americano Barack Obama visitou a região pela segunda vez desde o início do vazamento. Ele disse que assumirá a responsabilidade por "resolver a crise", mas afirmou que a BP pagará os custos do enorme dano. Um conselheiro da Casa Branca afirmou que alguns projetos petrolíferos no Golfo do México e na costa dos estados da Virgínia e do Alasca serão cancelados.




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